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Sistema de Abastecimento

Estação de Tratamento de Água do Sirigo – Penedono

A Estação de Tratamento de Águas (E.T.A.) de Penedono surgiu da preocupação da Câmara Municipal, de fornecer água, de boa qualidade, às populações do concelho. Depois de um estudo rigoroso efectuado na região, chegou-se à conclusão que era de aproveitar as águas retidas na Barragem da Ponte Pedrinha Penedono (Ourozinho).

Esta preocupação justificou-se, pois os volumes de águas extraídos nas Captações da barragem da Ponte de Ponte Pedrinha e as taxas de crescimento do consumo dos últimos anos apontavam para que, a curto prazo, não existisse água para abastecer toda a população, sendo assim necessário aumentar a área abastecida.

 

Circuito da água para tratar

As captações de água superficiais são geralmente afectadas pela poluição e pela eutrofização presentes nas águas fluviais. O tratamento destas águas constitui normalmente um desafio permanente à adaptação operacional das estações de tratamento, de modo a produzir água para abastecimento público, a partir de águas com qualidade variável ao longo do ano.

Nesta estação, a água superficial sobre tratamento físico-químico para se tornar própria para consumo humano, visto que a água bruta se encontra com alguma turvação, agressiva, com sólidos em suspensão, matéria orgânica, etc.

O sistema de captação, no açude, é constituído por vários drenos que recolhem a água drenada a uma profundidade de aproximadamente 7 metros. Neste ponto a água passa por “filtros”, que têm como finalidade impedir que resíduos sólidos de dimensões consideráveis entrem nos poços, o que poderia danificar seriamente as bombas que elevem a água (+/- 40 l/s), além de poderem também condicionar o fluxo normal das condutas.

– Mistura rápida/Coagulação

A água bruta elevada entra directamente na câmara de mistura rápida. A velocidade que tem quando chega a esta unidade de tratamento é suficiente para promover a mistura homogénea e uniforme dos reagentes aí adicionados, coagulante, floculante e desinfectante; PAX XL (Policloro Sulfato Básico de Alumínio) leite de cal e cloro (gasoso) respectivamente, uma vez que a quantidade utilizada é significativamente inferior à de água a tratar – inicia-se aqui o tratamento químico. A adição dos reagentes é efectuada através de bombas doseadoras e têm como função a desestabilização de partículas coloidais em suspensão e a criação de oportunidades da sua colisão, completada pelo ajuste final de pH, que permitirá equilibrar adequadamente a água – coagulação – favorecendo assim o contacto dessas partículas e a probabilidade de aglutinação, formando posteriormente flocos mais pesados que a água – floculação. O cloro que é adicionado nesta fase – pré-desinfecção – reduz o número de microrganismos patogénicos existentes, por oxidação da matéria orgânica.

– Floculação/ Decantação

As operações de floculação (utilizando como reagentes o PAX XL) e de decantação são realizadas em dois decantadores estáticos iguais, do tipo decantador de fluxo vertical (ascendente) com leito de lamas, cuja capacidade unitária é de 185m3.

A água afluente, será recebida, após adição de reagentes, numa caleira de chegada e distribuição, estabelecida no topo da parede de montante das cubas, caleira donde partem duas condutas metálicas de alimentação das cubas, com a configuração do desenho, que promovem a entrada da água junto ao fundo.

Na parte final destas condutas concebidos deflectores tranquilizadores de forma a criar condições de agitação necessária ao inicio da floculação sem necessidade de intervenção de órgãos mecânicos móveis.

A água decantada é recolhida na parte superior dos tanques (zona de saída) por caleiras dispostas na direcção longitudinal da estação, as quais descarreguem para uma caleira de recolha que promove a alimentação dos filtros rápidos.

– Filtração

A filtração é uma operação que tem por objectivo a remoção de partículas sólidas em suspensão, fazendo passar a água que as contem por um meio poroso, neste caso filtros de areia.

A filtração da água decantada é feita numa bateria de quatro filtros rápidos, abertos, gravitários, de fluxo ascendente, com camada filtrante homogénea.

O nível de líquidos nos filtros é constante durante o período de filtração. O que significa que o caudal será igualmente repartido por todos os filtros que constituem a bateria.

O sistema de regulação será efectuado à saída de cada um dos filtros através de válvula de regulação de borboleta, comandada por um flutuador que actua mecanicamente sobre a charneira das válvulas, cuja abertura será ajustada em permanência, de modo a compensar a colmatagem progressiva do filtro e assim manter constante o nível de filtragem.

A colmatação dos filtros é detectada por um sistema de alarme que dispara quando a superfície livre da camada de água atingir um certo nível, provocado pela crescente dificuldade de passagem motivada pela retenção dos sólidos. Para se proceder à lavagem dos filtros é necessário fechar a entrada da água vinda dos decantadores, deixar filtrar a que fica e dar inicio à lavagem propriamente dita, que é efectuada por inversão de corrente, ou seja, do fundo para a superfície da camada de areia com injecção de ar e água. Nesta operação há uma descompressão das areias que libertam assim os sólidos que ficaram retidos. A limpeza fica completa quando se avistar a saída de água limpa.

O meio filtrante é a areia sílica calibrada com as características citadas pela AWA (American Works Association), sendo a altura de camada de areia de 0,85 m, com o volume por filtro de 6,84 m3, a qual será suportada pelo fundo falso equipado com distribuidores de água.

– Desinfecção/ Armazenamento

A água, depois de filtrada, já livre dos sólidos, é recolhida num depósito de água tratada, constituído por duas células, situado na própria ETA – armazenamento. No percurso é injectado cloro gasoso por meio de um clorómetro com vista à desinfecção – pós-desinfecção – esta dosagem serve também para manter a quantidade de cloro residual, necessária para assegurar uma boa qualidade final. O pH é corrigido com leite de cal.

Da ETA, a água é elevada por bombas para um reservatório de distribuição, constituído por duas células, situado em Sirogo e daí para outros que abastecem a população.

– Características finais

As análises, à água final, são efectuadas por aparelhos que nos fazem medições constantes, sendo assim muito fácil manter os parâmetros sempre dentro dos limites decretados, o que não implica serem estas as únicas análises.

Com o objectivo de melhorar o controlo de qualidade da água, a Câmara Municipal de Penedono realiza, através de laboratórios credenciados, análises a três grupos de parâmetros:

Um primeiro grupo, denominado G1, que compreende os parâmetros organolépticos e microbiológicos, com frequência de colheita mais elevada.

Parâmetros Organolépticos: Parâmetros Microbiológicos:
Côr Coliformes totais
Turvação Coliformes fecais
Cheiro Estreptococus fecais
Sabor Clostrídicos sulfito-redutores
Germes totais a 22º C
Germes totais a 37º C

Um segundo grupo, G2, com frequência mais baixa que G1, engloba todos os parâmetros de natureza físico-química.

Parâmetros Físico-Químicos:
Temperatura Sódio
pH Potássio
Condutividade Alumínio
Cloretos Dureza total
Sulfatos Sólidos dissolvidos totais
Sílica Oxigénio dissolvido
Cálcio Dióxido de carbono livre
Magnésio

Um terceiro e último grupo, o grupo G3, inclui parâmetros considerados como substâncias indesejáveis e outros correspondentes a substâncias tóxicas, com frequência de amostragem mais baixa que os anteriores.

Parâmetros Indesejáveis: Parâmetros Tóxicos:
Cloro residual Arsénio
Nitratos Cádmio
Nitritos Cianetos
Azoto amoniacal Crómio
Azoto Kjedahl Mercúrio
Oxabilidade Níquel
Carbono orgânico total Chumbo
Sulfureto de hidrogénio Antimónio
Ferro Selénio
Manganês Hidracarbonetos policíclicos
Cobre
Zinco
Fósforo
Fluoretos
Cobalto
Sólidos suspensos totais