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Núcleo Museológico do Lagar de Azeite de Póvoa de Penela

 

Núcleo Museológico do Lagar de Azeite de Póvoa de Penela

 

Núcleo Museológico do Lagar de Azeite de Póvoa de Penela

Uma história por um fio…

 

Procurando reforçar o seu valor patrimonial e cultural, a Junta de freguesia de Póvoa de Penela procedeu à recuperação deste Lagar de Azeite procurando manter viva a memória de outros tempos.

 

O ciclo do azeite iniciava-se nos olivais, com a sua colheita das oliveiras. Após a apanha da azeitona esta era lavada e seleccionada para depois dar entrada no lagar e passar à fase da moenda, onde o fruto era deitado dentro do moinho e, pela força das mós, movida por dois bois, era triturado e transformado em massa. Após este procedimento passava-se para a fase de prensagem e colocava-se a massa dentro de seiras onde depois era sujeita à pressão da prensa de parafuso e também sujeita às “caldas” (derrame de água a ferver), para assim, se ir libertando o azeite da massa e depois deste mosto oleoso, a chamada decantação do azeite.

 

A oliveira (olea europea), o seu fruto e sobretudo o seu sumo, o az-zait, tiveram uma grande e diversificada importância, não só a nível local, mas a uma escala mundial e ao longo dos vários séculos, muito em especial para os habitantes da bacia do mediterrâneo, influenciando decisivamente a sua cultura e, em particular, a sua dieta. Apresentou, e ainda apresenta, grande relevo não só na área da alimentação mas também, da mitologia, da religião e, cada vez mais na área da cosmética e da saúde.

 

Em Póvoa de Penela existiram três azenhas, mas esta foi a única preservada, sendo uma memória viva de costumes e práticas económicas relevantes nesta região, em particular das tradicionais técnicas de elaboração do azeite. Embora fosse propriedade privada era utilizado por todos os habitantes mediante reserva prévia e o pagamento de uma maquia de azeite no final.

Pertencente à família Hintze Marçal, o lagar de azeite era também usado mediante o pagamento de uma importância em géneros (azeite). Na década de setenta a azenha deixou de laborar por completo e em setembro de 2001 é dado um passo no sentido do lagar voltar a estar ao serviço da comunidade, tendo aquela família feito doação à Junta de Freguesia.

Após a recuperação deste espaço ficou garantida a preservação da memória de algumas práticas e engenhos agrícolas já em extinção e a transmissão de um modus vivendi às gerações vindouras, numa região em que a abundância do azeite era uma realidade, já o referiam as memórias paroquiais em 1755.

Encontram-se assim perpetuados no tempo os mecanismos de laboração do azeite que utilizavam apenas a força motriz dos animais para mover o moinho de mós e a dos homens para mover a prensa de parafuso de ferro.

O moinho era constituído por um pio de pedra, com duas mós de pedra cilíndricas (ou galgas) e com um cambão (trave) apenso a elas, ao qual se prendia a junta de bois que fazia mover o moinho num movimento de rotação. Estes moinhos de galgas de pedra foram bastante utilizados em Portugal, sobretudo a partir do século XVII e XVIII. Encontramos na segunda divisão, num local superior, a prensa de parafuso de ferro, constituída por parafuso vertical e por uma prensa, movida manualmente. Neste espaço encontramos embutidas no chão duas tarefas (talha para onde escorre o azeite), uma chamada de “tesouro” e existe também, uma caldeira de cobre com uma fornalha e uma reserva de água.

Um dos objectos da intervenção é também a sua utilização para fins educacionais e culturais, nomeadamente abri-lo à visita de escolas para que os jovens e visitantes possam ver “ao vivo” como é o processo de fabrico do azeite, para além de poder servir como equipamento cultural e cívico.

Com esta recuperação a freguesia de Póvoa de Penela e o concelho de Penedono passaram a dispor de mais uma unidade museológica que preserva as memórias e os saberes ancestrais de todo um povo, que com trabalho, esforço e muita humildade moldou este território entre a Beira e o Douro.

Para visitar deve ser contactada a Junta de Freguesia através do número 254 549 276. (Chamada para a rede fixa nacional)

 

 

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Conteúdo atualizado em 07 de abril de 2026 às 17:22
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